BAÚ CORAL – 1976, Santa Cruz 5 x 0 Sport

O ano era 1976, e o campeonato pernambucano daquele ano, apresentava nas cinco primeiras rodadas um Sport avassalador que em cinco jogos aplicou 4 goleadas e ainda  de quebra venceu o clássico contra o Náutico. Tinham o melhor ataque com 22 gols e a defesa estava invicta. Era um time recheado de craques (Toinho, Luciano Veloso, Amilton Rocha, Djalma, Assis e o astro principal Dario), uma forte equipe que buscava o bicampeonato. O ânimo tomava conta da torcida rubro-negra e também de seus atletas, que começavam a ver um Sport poderoso e imbatível.

Agora as atenções estavam todas voltadas para o clássico no Arruda contra o Santa Cruz, que nas cinco primeiras rodadas ganhou três e empatou duas, sendo 1 desses empates contra o América no Arruda. O time coral já não contava mais com Ramon, negociado com o Vasco, o novo ataque coral estava agora formado por Nunes e o garoto Volnei.

As vésperas do clássico chovia muito no Recife, o folclórico Dario resolveu incendiar o clima da partida, e mandou um recado para os corais, dizendo que faria o gol Gota d´água. Do lado coral, Volnei prometia acabar com a invencibilidade do goleiro Toinho, que já durava mais de 450 minutos.

Domingo, 28 de março de 1976, chega o grande dia, o Arruda estava lotado,  bons tempos aqueles, em que as Torcidas Organizadas iam para os estádios apenas para torcer pelos seus times.

O jogo tem início, e o time coral parte com tudo para cima do Sport que manda a bola pela linha de fundo. Na cobrança do escanteio, Assis falha ao tentar recuar para Toinho, a bola sobra para Nunes que manda um balaço para o fundo das redes, a invencibilidade do gol rubro-negro tinha fim logo no início do jogo, foi um delírio só no estádio.

O gol no primeiro minuto abalou os rubro-negros, o Santa Cruz pressionava, e aos 15 minutos, numa estocada de Betinho a bola vai para Volnei que manda uma sapatada na saída de Toinho, a bola estufa a rede, o estádio mais uma vez delira, era o segundo gol tricolor, o poderoso Sport estava perdido em campo.

O primeiro tempo termina com o placar de 2 a 0, favorável ao Santa Cruz.

Na volta para o segundo tempo a torcida rubro-negra acredita numa virada, e incentiva o time da ilha, mas a defesa do Santa Cruz se mantém firme e segue afastando tudo.

Até que aos 27 minutos, Carlos Alberto Rodrigues chuta e o zagueiro do Sport  Silveira se atrapalha, a bola bate em sua cabeça e vai para o gol, era o terceiro gol, a torcida rubro-negra começa a deixar o Arruda, não havia mais chances de uma reação.

Desesperado e procurando a todo custo fazer o gol de honra, o Sport se perdia mais em campo, aos 38 minutos, mais uma vez Betinho serve uma bola com sensacional para Volnei que sem piedade na saída de Toinho marcava o quarto gol, a festa no Arruda era esplêndida.

E quando todos achavam que o placar estava sacramentado, no apagar das luzes, aos 45 minutos, Nunes entra na área e manda uma bomba, a bola bate na trave, e na volta, mais uma vez Volnei completa para o gol, e dava números finais ao placar. Santa Cruz 5 x 0 Sport.

Esta goleada não é a maior na história do Clássico das Multidões (a maior aconteceu em 1934, Santa Cruz 7 x 0 Sport), mas é com certeza a mais relembrada e comemorada pelos tricolores, teve um gosto especial, pois colocaram abaixo toda a arrogância e prepotência de um time que juntamente com sua torcida, menosprezaram e cantaram vitórias durante a semana toda, o poderoso e imbatível Sport, como era chamado.

Volnei não conseguiu cumprir sua promessa de tirar a invencibilidade de Toinho, e nem Dario fez seu gol Gota d´água, o que se viu na verdade foi uma Tromba d´água tricolor para cima do Sport.

Santa Cruz: Picasso (Gilberto), Carlos Alberto Barbosa, Alfredo Santos (Lima), Levir, Pedrinho, Givanildo, Carlos Alberto Rodrigues, Betinho, Volnei, Nunes e Santos.

Sport: Toinho, Marcos, Silveira, Djalma, Cláudio, Luciano Veloso, Assis, Amilton Rocha, Dario, Miltão e Lima

Juiz: Sebastião Rufino –  Público: 36 939

E a pedidos de vários tricolores, reviva o aúdio dos 5 gols do Santa Cruz, na voz do inesquecível Ivan Lima, o Gandulão de Ouro.

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por Torcida Coral Jampa

5 comentários em “BAÚ CORAL – 1976, Santa Cruz 5 x 0 Sport

  1. Massa véi, deu-me vontade de chorar de tanta emoção, em ouvir Ivan Lima narrar essas belezuras de gols do nosso amado Santa Cruz.

  2. Foi um dos maiores times do Santa Cruz que eu vi jogar. Era radiante ver as vitórias tricolor. Igual, acredito que não vai mais haver.

  3. OUVI ESSE JOGO PELO RÁDIO, NESSA VOZ DO GANDULÃO DE OURO IVAN LIMA. FOI UM MASSACRE TRICOLOR NA COISA.CHORO TODAS AS VEZES QUE ESCUTO ESTES GOLS. AQUELE ERA UM TIME DE PRIMEIRA, QUE NÃO RESPEITAVA TIMES DO SUL. TINHAM QUE RESPEITAR O TRICOLOR DO ARRUDA, FOSSE JOGO NO ARRUDÃO OU FORA DELE.

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